A cultura do entreguismo, impeachment, hipocrisia e corrupção

“Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”, já dizia o poeta da música popular brasileira, Bezerra da Silva.

A noite desse domingo, 17/04/2016, entrou para a história como sendo uma sequência criminosa do golpe de 1964. O atentado ao estado de direito, a constituição e a soberania nacional, foi negociada e golpeada pelos mais baixos valores ao pedirem o afastamento de uma presidenta eleita através do voto direto, sem denuncia de crime e envolvimento em corrupção, o que qualifica o "impeachment sem crime é golpe!".

Compareceram a sessão presidida pelo Eduardo Cunha (PMDB-RJ), 511 deputados, desse montante 362 repetiram o discurso hipócrita “em nome da minha famílias, pelo fim da corrupção e pela mudança”, ai você se pergunta, se tudo que foi falado ontem era mesmo serio? Dos 367 deputados que votaram 323 estão ligados diretamente em denúncias de corrupção na Lava Jato, sonegação do HSBC e Panamá Papers, de assassinatos pelo agronegócio e latifúndio, trabalho escravo, de milícias que tem exterminado jovens, moradores de rua e de agricultores.

Fazendo uma analise mais realista do que aconteceu, o grande derrotado não foi PT, PCdoB e demais partidos da base aliada, nem o Lula e muito menos a presidenta Dilma Rousseff e sim o povo brasileiro desatento que desconhecem o significado da democracia, das politicas sociais, do cotidiano do país que já era difícil e agora com as divulgações adianta do “Plano Temer” na edição do dia 03 de abril da Folha de São Paulo, que promete cortar 50% dos programas sociais (Bolsa Família, Minha casa, Minha vida, Ciências sem Fronteiras, Prouni, Pronatec, entre vários outros, diz que não vai acabar, mas vai cortar e defasar seu valor de compra e investimento), arrochar o salário mínimo (para fortalecer o investimento da indústria, que vai fazer o trabalhador ter um salario que vai projetar uma falta de qualidade de sua vida), pautas como: Terceirização (para todas as funções que vai fazer o trabalhador valer somente 1/3 do que vale, além do trabalho escravo e sem horário), Fim do 13º salário (para aliviar a folha das industrias) e Remover o Minha casa Minha Vida, da Caixa Econômica Federal (obrigatoriamente os bancos públicos só poderão financiar a metade de todos os financiamentos, o restante somente em bancos privados). Essas são umas das poucas propostas do tal plano do Temer, que arrocha o pobre e beneficia a classe media alta do Brasil.

A turbulência politica no Brasil não acabou com a votação favorável do golpe disfarçado de Impeachment, essa semana o senado deve iniciar a verificação do relatório que acompanha o pedido de impedimento do seu mandato que precisa ter 41 votos favoráveis do total de 81 para afastar a presidenta por 180 dias de suas funções e a segunda votação para afastamento definitivo também precisará de 2/3.

O fato é que o resultado do congresso não vai ajudar a renovar política, nem combater a corrupção e muito menos fortalecer a família, não tem como a desonestidade e hipocrisia que estava visível aos olhos de todos construírem nada.

Para se ter uma ideia do que acontece, a depurada Raquel Muniz (PSD-MG), que votou para acabar com a corrupção, teve seu marido que é prefeito de Montes Claros-MG, preso na manhã dessa segunda-feira, 18/04, em sua residência, o réu do STF, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), comemora com seus milhões propinados, o fascista Bolsonaro (PSC-RJ), continua sem explicar de onde veio o enriquecimento milionário do seu patrimônio, do ex-sindicalista Paulinho da Força (SD-SP), que é réu no STF por desvio de dinheiro publico e os demais 320 que só Deus sabe quando vão ver a justiça bater a sua porta cedinho do dia como teve a deputada Raquel.

Quem financiou a traição?

A imprensa livre mostrava vários deputados que não registraram presença perambulando pelos corredores e salas do congresso de conversa com um e outro a fim de forçar a valorização financeira do seu voto e as traições contabilizadas pela base governista passaram dos 70 votos, justamente, a pergunta é, quem comprou esses votos e a que preço e que preço o povo vai pagar mais a frente?

O golpe na democracia sofreu sua segunda agressão do autoritarismo e para preservar o bem e o estado de direitos cabe uma reflexão de todos, o que esta acontecendo na republica demorar a chegar, mais chega e o gosto é bem amargo e cabe o pensamento se esse veneno é o que se quer para matar a sua democracia.

Canalha, Canalhas e Canalhas, já dizia Tancredo Neves (PSD-MG), juntamente com Ulysses Guimarães (PMDB-SP) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando pediam a redemocratização do país durante as Diretas Já! que aconteciam em todo o Brasil no início da década de 1980.

Vamos continuar na rua e trabalhando contra o golpe e a favor da democracia e estado de direito.

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