Assassinados do MST: Nenhum minuto de silêncio

“Eles não nos calarão, não vão passar por cima de nós. Nós vingaremos essa morte, mas a nossa vingança é feita de flor e de fruto. A nossa vingança será feita derrubando latifúndio; será construindo a reforma agrária com vocês. A nossa vingança poderá fazer com que todas as crianças tenham direito à escola e à educação. A nossa vingança será no poço desses covardes; vai doer muito na consciência desses ladrões, porque eles só pensam na riqueza - só pensam em roubar o nosso país e as nossas terras. Nós nos vingaremos!”

Foi com discursos emocionantes que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) relembrou a força do maior movimento social da América Latina. Uma emboscada, que claramente foi armada em conluio entre polícia e forças conservadoras do Paraná, assassinou dois trabalhadores rurais nessa quinta-feira (7): Vilmar Bordim, de 44 anos, casado, pai de três filhos; e Leomar Bhorbak, de 25 anos, que deixou uma esposa grávida de nove meses.

Nesta mesma semana o MST também relembra, com luta, a chacina de Eldorado dos Carajás. Dezenas de outros companheiros que tombaram na luta foram relembrados nesta noite. Vítimas de uma experiencia de coragem e ousadia, os tombamentos servem como mais um motivo de continuar lutando pela reforma agrária no país.

“Para os nossos mortos, nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta!”

Presentes, apoiadores de outros movimentos e representantes institucionais também dedicaram força e solidariedade. Para a Consulta Popular, “nessa cidade onde a conspiração antidemocrática anda a galopes, essa vigília é histórica para lembrar que os nossos mortos não serão esquecidos”.A insatisfação com a Polícia e as instituições de segurança e justiça também foram invocadas em gritos como ˜Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar.

O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Gabriel Sampaio, conclamou: “Temos a necessidade de cobrar os nossos aparelhos estatais para que não prevaleça a impunidade diante disso que ocorreu. Há uma determinação para uma investigação que desvende aqueles que são culpados e esclareça os reais motivos para essas mortes”. Gabriel também afirmou que o Ministério da Justiça será um dos agentes de cobrança, para que o caso seja investigado.

A insatisfação com a polícia e as instituições de segurança e justiça também foram evocadas, em gritos como: “Não acabou! Tem que acabar! Eu quero o fim da Polícia Militar!”

LUTA CONTÍNUA

A partir desde domingo, 10 de abril, o movimento se somará a dezenas de outras organizações sociais do país em um acampamento para defender a democracia em Brasília.

Reprodução: Mídia Ninja

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